Eu odeio musicais, não me perguntem porquê. Devido a isso não vi Chicago e Moulin Rouge, que são os mais recentes lançados (para mim que não acompanha o lançamento de musicais pelo menos). Ganharam muitos prêmios e ótimas críticas, só que simplesmente nunca tive paciência para ficar vendo filmes deste tipo. Sempre achei uma chatisse tremenda, a pessoa aparece numa rua, ai começa sei lá a chover por exemplo, de repente lá está a pessoa cantando: “olhaaa, a chuva cai nos meus ombros, e eu caminho com meu guarda-chuva lá lá lá lá lá “. É mais ou menos assim, e vai levando isso por uns 5 minutos, todos dançando e sorrindo e cantando. Pausa para duas falas e vamos de mais música até o final do filme.

Agora que já se situaram sobre a minha admiração com os musicais posso comentar sobre HairSpray. Com certeza a primeira coisa que chama a atenção de todos quando vão procurar saber algo a respeito deste é filme é John Travolta vestido de mulher. Eu pensei em ver este filme apenas quando passasse no Telecine, ou depois alugar quem sabe, pois apesar de ter me interessado um pouco em ver, devido as ótimas críticas recebidas, ele ainda se tratava de um musical. A convite de Dona Patroa fui conferir nos cinemas essa semana, era a única opção viável para nós dois, já que Resident Evil 3 ela não iria assistir nunca.

Depois de ver eu fiquei realmente impressionado, o filme é bastante divertido e bom de verdade. A história é envolvente e a menina que foi escolhida para interpretar Tracy Turnblad (Nikki Blonsky), a protagonista do filme é muito, muito carismática. É impossível não se render ao carisma dela, toda elétrica, alegre, dançante. Não para de se remexer um segundo. Parece até com uma conhecida aqui da terrinha (pra quem ainda não sabe Salvador-BA), Nara Costa – A rainha do Arrocha. Ela dança igual a Nara Costa, “toda se bulindo“. Para os que nunca ouviram falar, posso dizer que o Arrocha é um ritmo musical brega-seresta só que um pouco mais acelerado, é horrível, não pesquisem e nem baixem músicas ok? Eu não recomendo, a não ser que seja Silvano Salles cantando “Carla” do Ls Jack 🙂

John Travolta mesmo todo maqueado e “digi-transformado” numa mulher “volumosa” consegue cantar e dançar direitinho, aliás o elenco todo é uma aula de dança, não é aquela do Faustão que a cada dia mata uma pessoa. A medida que Tracy corre atrás de seu sonho, que é ser dançarina do “The Corny Collins Show“, o programa de dança mais famoso da TV, Amber (Michelle Pfeiffer) tenta atrapalhar a sua vida, pois mesmo sendo gordinha e fora dos padrões televisivos, Tracy vai conquistando cada vez mais o público, e atrapalhando hegemonia de Amber no programa, que está querendo colocar a filha como campeã do concurso de dança.

Além disso temos também a luta de Tracy contra o preconceito racial da época (o filme se passa em 1962) que usa sua fama para lutar pela integração de brancos e negros na tv. É baseado no premiado musical da BroadWay. Musical? Mas eu não odiava musicais? Das duas opções uma é correta, ou o filme é tão bom que até quem não gosta de musicais vai adorar (ao contrário do que Ramon alertou em seu blog), ou então tenho que rever meus conceitos quanto ao ódio indiscriminado e sem motivos a musicais.
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